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Os textos são de inteira responsabilidade
de seus autores. 

 
Reportagem
 
Na margem do rio Acre eu sentei e sorri
Aleta Dreves
 
     O título deste texto remete a Paulo Coelho e o seu livro: “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”. Posso assegurar-lhes, no entanto, que são duas histórias bem diferentes. Aqui em Rio Branco, sempre que posso, ao entardecer, sento à beira do Rio Acre, junto à famosa Gameleira. Para quem não conhece, a Gameleira é uma árvore. Um marco ao lado direito do Rio Acre, referência de um lugar onde ocorreram batalhas históricas, além de embarque e desembarque de imigrantes sírio-libaneses e de migrantes nordestinos.

     Aos pés da Gameleira, fixo meu olhar nos batelões, catraias, enfim, em todos os barcos que por ali permanecem. Parece que estou naquelas águas, a navegar. Vou longe, em pensamento. É meu ponto de fuga, é onde coloco a cabeça no lugar. Por um momento, penso na história que aquele lugar tem para contar. Nem eu mesma acredito que ali foi lugar de passagem, embarque e desembarque, rota de revoluções. Quantos morreram? Quantos viveram? Não sei.

     O rio, que parece amenizar os meus pensamentos, representa vida e morte, ao mesmo tempo. Até para ele mesmo, que costuma encher e secar com extrema rapidez. Enche na época de inverno acreano, quando é verão no Sul, e seca na época de verão acreano, no inverno sulista.

     A cidade de Rio Branco, capital do Acre, além de abrigar mais da metade da população do Estado, divide-se em Primeiro e Segundo Distrito, que são os portões de entrada e saída de visitantes. O engraçado é que o Segundo Distrito foi o que surgiu primeiro. Entenderam? (risos). Calma, vamos com calma. O denominado Segundo Distrito é a parte mais antiga da cidade de Rio Branco.

     Quem faz uma busca pela internet pode encontrar o seguinte texto, bastante explicativo:

     [Rio Branco] foi uma das primeiras cidades a surgir nas margens do rio Acre. Conta a História que, em fins de 1882, numa pronunciada volta do rio Acre, uma frondosa árvore, a Gameleira, chamou a atenção de exploradores que subiam o rio e levou-os a abrir novos seringais ali mesmo. O povoado chamado Volta da Empreza logo revelou-se mais movimentado do que um simples seringal pela abertura de pontos comerciais para o abastecimento das embarcações a vapor que subiam o rio no transporte do ouro negro (a borracha).

     Anos depois, a mesma Gameleira seria testemunha dos combates travados na Volta da Empreza entre revolucionários acreanos e tropas bolivianas, durante o crítico período da Revolução Acreana, que tornou o Acre parte do Brasil, no início deste século. Com o Tratado de Petrópolis e a criação do Território Federal do Acre, a agora chamada Villa Rio Branco afirmou-se como o principal centro urbano de todo o vale do Acre, o mais rico e produtivo do território. Tanto assim que, a partir de 1920, a cidade de Rio Branco assumiu a condição de capital do Território e depois do Estado.

     Durante todos esses acontecimentos, a rua surgida da Gameleira, na margem direita do rio Acre, era o centro da vida comercial e urbana dessa parte da Amazônia. Ali se situavam os bares, cafés e cassinos que movimentavam a vida noturna da cidade, ali se encontravam os principais representantes comerciais das casas aviadoras nacionais e estrangeiras que movimentavam milhares de contos de réis naquela época de riqueza e fausto, ali moravam as principais famílias da elite urbana composta por profissionais liberais e pelo funcionalismo público.

(www.caminhos.ufms.br)

     Agora que vocês entenderam o que é a Gameleira, posso voltar a falar do Primeiro Distrito, que é a parte mais recente da cidade. Ela tem esta denominação por estar ali localizado o Palácio do Governo, entre outros órgãos governamentais.

     Quando cheguei a Rio Branco, achava que o nome da cidade dizia respeito ao rio. Dias depois, descobri que Rio Branco ganhou este nome em homenagem ao Barão de Rio Branco, e o rio que corre ao pé da Gameleira tem o nome de Rio Acre.

     No calçadão da Gameleira, construído pelo atual governo, existem várias árvores da mesma espécie e também outras, chamadas de Apuís. Estas se parecem com a Gameleira, mas, na verdade, são parasitas gigantes. Bom, fico devendo uma explicação mais detalhada sobre os Apuís.

     A principal Gameleira da história do Acre está localizada onde hoje funciona um bar: o Bar do Gracil, ou “Point do Gracil”, como o próprio dono do estabelecimento denomina. Todas semanas, o lugar é cenário para a Terça Cultural, promovida pela Casa da Leitura, que será assunto de uma futura coluna.

     A intenção nesta coluna é desmistificar a imagem distorcida que se tem do Acre, em todo o Brasil. Ah! E não me venham dizer que é mentira, porque não é! Estou cansada de ouvir meu amigo sulista fazendo piadinha. As mais freqüentes: se eu já achei algum índio passeando com onça pintada nas ruas, se aqui tem computador, e por aí vai. Todos pensam que o Acre é o fim do mundo. Até mesmo o Dicionário Aurélio, em suas edições mais antigas, trazia o verbete “morrer” com significado “ir para o Acre”. Mal sabia Aurélio que aqui é o paraíso. Talvez, então, a idéia devesse ser completada: “morreu, no sentido de foi pro paraíso”.

 
 
 
 

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REFLEXÕES...

O segredo de uma boa velhice não é outra coisa que um pacto honrado com a
solidão.
Gabriel García Márquez
escritor colombiano
que completa 80 anos
em 2007

 

 
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